quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dias que se passam recentemente me prendem a mim mesmo não me deixando soltar. Estou preso aqui dentro, mas sinto-me jogado para fora. Não é uma liberdade assim, externa. É algo bem mais comprometedor que me arrebata, chicoteia e me traz de volta a minha velha questão: Eu, quem sou? E apesar disso nem me preocupar mais como era dantes, em nada me alivia pensar nisso. São grandes as conquistas as que tenho chegado, meus modelos cairam e eu cai junto a eles para poder aprender a fazer sozinho, a ser sozinho, a me construir do nada. Do nada sim, pois as bases que até então eu pensava que eram tão minhas, não o eram. Foram roubadas de outras cabeças, de outras sentenças, que não as minhas. Aí eu me perguntava: Cadê o espelho? E quanto mais eu o procurava mais ele fugia. Cansei de procurar. De tanto fazê-lo nem me dei conta de que conseguia viver muito bem sem ele, sem meu reflexo, sem aquela imagem a seguir, sem nenhum padrão. Eu sou os meus padrões, absurdos, grotescos. É a minha implusividade o que faz de mim um ser em construção. Por vezes intratável, irritável, incompreenssível, mas que no profundo da propriedade carnal e de alma se faz apenas um pássaro. E como todo pássaro, possui asas. É! Eu ainda sei voar, e como gosto tanto disso. Gaiolas não me prendem nem me esquivam de me ser. Aqui dentro desse poço de egoísmo, que me leva a angústia perturbadora de sentidos, mas que ao fim me devolve a falta, que por sua vez me permite desejar mais e mais, existe uma inteireza, uma ebulição, sublimação. Uma canção própria e inintelígivel. Ai como é bom ser quem agente nem sabia que era e perceber que se pode ser não o que se quer mas o que se é possível ser!
Lucas Tadeu

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