terça-feira, 4 de janeiro de 2011

SONHO

Entre belas estampas de cores vaidosas encontrei um rato
Ele não saia de nenhuma toca e não estava faminto por queijo algum
Eu era o rato ou ele era eu
A ordem não é uma invenção minha
Estava numa blusa de seda 
Descendo
Subindo
Correndo
Sentindo o cheiro bom do tecido
Agulhas muitas agulhas havia ali
Pedaços de pano alfinetado num canto
Mas o que eu queria
O que o rato queria eram uns botões
Os mais coloridos de lá
Corria entre pés nervosos
Escapava da vassourada
Uma bela ratoeira fora armada
Mas para um rato não há obstáculo
Subi naquela mesa recheada de trabalhos interminados
Lantejoulas, tesouras
Novelos
Plumas
Tudo tão perto
Mas meu objetivo estava guardado na gaveta
Espreitei o melhor ângulo
Esperei a melhor ocasião
Uma pequena abertura nela
E eu pulei
Era tarde
Fecharam a gaveta
Ouvi dizer que iam entrar em férias
Um mês numa gaveta
Engavetado
Mas com o sonho realizado
Milhões de botões coloridos ao meu lado
Havia felicidade ali
Não sei se minha ou do rato
Ou nossa


Lucas Tadeu

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