terça-feira, 4 de janeiro de 2011

ÚNICO

Às vezes sinto uma vontade artificial de estar só
Encontro na solidão coisas de mim escondidas
Descubro outros mundos
Outras constelações
Viajo sem receio em meu desconhecido corpo
Minh'alma latejando de uma felicidade gratuita e meus pés formigando ao som do nada
Faço crônicas com o vazio 
Endereço cartas ao meu coração
E transformo tudo em emoção
Aprendo a valorizar a paciência
De esperar sentado a sorte ou de buscá-la em algum reino distante
Revigoro-me nas flores de pétalas frágeis 
Ouço as abelhinhas tão dóceis em uma distância segura
Passo cantarolando a passos finos no telhado
Meus  vizinhos me tomam por louco
Eu prefiro nem dar bola

Há uma raridade obscurecida na unidade
É quando se precisa de alguém e não há
Quando se quer uma amigo e não há
Quando se quer colo 
Se quer abraço
Se quer uma migalha de carinho que seja
Quando se quer qualquer alma viva e não há
Aí eu  descobri que há sim
Sempre houve alguém
Dentro de mim 
Um ser pulsando para me conhecer
Que parecia tentar se esconder
E que somente a solidão pôde me apresentar
Eu a mim mesmo.

Lucas Tadeu

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