segunda-feira, 22 de agosto de 2011

DO MEU TIPO
Enxergo tantas possibilidades em mim, mas nenhuma me conduz a oferecer compaixão, mesmo quando ela é devida. Faço coisas sem saber se as faço pelo simples fato de fazer ou por uma vontade sorrateira que me angustia e me obriga a tanto. Não sou do tipo que chora em velórios. É tudo tão irreal, tão fora de qualquer órbita que meus pensamentos possam alcançar, que duvido que realmente seja um momento triste. Também não me encaixo no patamar de pessoas que está sempre alegre por tudo, agradecendo pelo sol que brilha e pelo dia que se anuncia. Sou mais aquela alma peregrina que só sabe mesmo é fazer perguntas para o tempo que resiste em repondê-las. 
Sou um homem que se ampara em sua própria insegurança de querer e não saber tudo. Engatinho ainda em terrenos móveis que me disassociam da realidade plena. Vivo caminhando sobre a linha tênue entre a sinceridade e a frieza. Não que eu não tenha sentimentos, mas eles são tão desdobrados e entrelaçados em uma esperança infinita, que demonstrá-los é uma tarefa árdua, tanto que me parece mais fácil suprimí-los por detrás de um personagem. Sou do tipo que acorda sorrindo e segue assim por semanas. E num belo dia de outono se fecha como ostra e se isola e se consola e renova suas forças e volta a sorrir. Sou eu e minhas características efêmeras. Preciso de mim de vez em quando. Preciso de mim mais do que gostaria ou mais do que possa suportar. Sou um mundo inteiro em mim, completo. 
Outras vezes evito o espelho, fujo de mim como louco. Quem tentar me entender vai se enrolar numa teia múltipla de indefinições aleatórias que não conduzem ninguém a lugar algum. Se eu me entendesse eu não escreveria. Para que escrever quando as palavras não servirão de alívio temporário para as angústias da alma? Por dias me abraço a Rilk, "prefiro a pantera ao anjo", e passo a "condensar o vago em preciso".
O que quero dizer é que não sou daqueles adoráveis seres que agradam todo mundo e que riem de piadas toscas. Ledo engano, até eu me enganei nisso, não tenho tendencia a caridades. Preciso de prazer para mostrar meu sorriso. Gosto de rostos verdadeiros, de gente de carne e osso, que sofre e luta, que não se entrega, mas que sobretudo não finge uma felicidade alternativa. 
Se me pedir pra guardar um segredo, eu esquecerei o que me disser. Se me pedir um conselho, eu não direi nada, e com a cara mais sem sal lhe lançarei um olhar de questionamento. Se me perguntar se eu te amo, eu levarei alguns dias para lhe dar a resposta. Pois se eu nunca te falei, talvez nem tenha pensado sobre isso. Não tenho respostas prontas, e por que eu deveria, visto que tenho esperado tanto tempo por algumas respostas que acho que nem virão um dia?
Sou um pouco do que desejo e do que gostaria de ser. Não se preocupe se eu não te olhar nos olhos, se eu não te ver. Nada em mim é fingimento. Não sei se tenho um tipo definido, acho que sou do meu tipo. Não aceito conselhos, até os ouço e reflito sobre eles, porém,  acho que ninguém possa me ajudar ou me aconselhar, não sem uma intenção velada, não de maneira neutra.
Quanto às criticas, "não passam de mal-entendidos mais ou menos afortunados" .E como diria Clarice:" E se me achar esquisito,respeite também, até eu fui obrigado a me respeitar."

Lucas Tadeu

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