terça-feira, 2 de agosto de 2011

FALTA

Vivemos a esperar. A resposta que nunca chega. O carinho que se esvai. A palavra que não se diz. O pedido de desculpas que não vem. O elogio que parece nem existir. A mão que não toca. O calor que não esquenta. O desejo que não satisfaz. A vontade que não evolui. A esperança que apesar de não morrer, enfraquece. O sonhar que se interrompe. O caminhar solitário que se estende. O perceber-se vazio. A ideia que não se realiza. O prazer que não é recíproco. A dedicação que não aparece. O sentido que não se sente. O ombro amigo que não sustenta. O apoio não recebido. O beijo contido. A voz que se cala. O silêncio que esfria. A dor que é suprimida. A lágrima que é contida. E quantas coisas mais nesta vida que não acontecem. Sem explicação, sem razão. 
Pra que entender ?  o entendimento não revigora. Sei de muitas coisas e nenhuma delas me faz companhia quando todas as outras se vão. Há tantas pessoas neste mundo. Espalhadas. Espelhadas. Eu aqui e elas por aí. O diálogo que foge. As conversas que diminuem. Então eu paro e me pergunto: Onde estava que não vi o passado sair de fininho ? Onde estava que não enxerguei minha boas lembranças caindo no poço do esquecimento ?
Hoje tudo se faz tão complicado que muita gente nem sabe mais dar um simples: Oi!
Tudo o que posso dizer é que há muito que superar e evoluir. Há um cansaço que a expectativa gera e que aos poucos corrói a autoestima. Nos perguntamos: O que eu fiz de errado? Mas quando essa resposta chega, e ela sempre chega, não satisfaz. Saber que não há nada de errado com você, mas que há um enorme muro entre o outro e você é desesperador. 
Eu continuo querendo, mais e mais. Eu preciso da continuação. Não quero o final feliz. Quero o meio, o recheio.
E eu não me acostumo com não ter ninguém do outro lado. Quero fazer parte. Quero me interar. 
Queria poder me entregar, me render. Mas, em territórios da paixão, a batalha talvez nem exista!

Lucas Tadeu

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